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20/12/2016

Anhanga

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Arte de Anhanga

Personagem: Espectro, fantasma, mito ou visagem. Existem quatro formas amplamente divulgadas dessa visagem: Mira-nhanga (gente), Tatu-anhanga (tatu), Suaçu-anhanga (veado com olhos de fogo) e Tapira-anhanga (boi). Entretanto, o Anhanga pode assumir qualquer forma animal, como um transmorfo, sendo assim considerado uma visagem onímoda.

Descrição: Segundo Luís da Câmara Cascudo, quando visto, ouvido ou pressentido, o Anhangá traz para a pessoa certo prenúncio de desgraça, e os lugares que se conhecem como frequentados por ele são mal-assombrados. É também citado por assombrar seringueiros ou viajantes.

Motivação: Conforme Couto de Magalhães, "Anhangá é o deus da caça no campo; Anhangá devia proteger todos os animais terrestres contra os índios que quisessem abusar de seu pendor para a caça, para destruí-los inutilmente".

Comentários: Trata-se do Deus da caça entre os indígenas brasileiros que foi sendo associado a outras entidades ao longo do tempo. Para o americanista e poeta Gonçalvez Dias em "Brasil e Oceânia" (1967), o Anhanga (ele escrevia Anhangá) seria uma contração de Mbai-aiba, a coisa má. Nos estudos do historiador Luís da Câmara Cascudo, sendo o Anahanga um mito de caça, era natural que os negros caçadores o conhecessem no Brasil, assimilando-o aos vocábulos quase homófonos de seu idioma. Na visão dos tupinólogos Tastevin e Teodoro Sampaio, o Anahanga era traduzido por alma, espírito maligno, diabo ou alma de finados. Já  Gustavo Barroso o disse igualmente a un Dieu des cauchemars, como a velha acepção do clássico Jurupari.
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Carneiro Encantado

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Imagem da lenda do carneiro encantado

Personagem: É um carneiro gigantesco, com uma estrela resplandecente na testa, que aparece no Maranhão. Já o Carneiro de Ouro, mito idêntico que ocorre no Piauí, é dito ser um enorme carneiro de ouro, revestido de luz.

Descrição: Para o historiador Renato Almeida em "Manual de Coleta Folclórica" (1965), "o carneiro é figura velha no folclore, desde a história do tosão de ouro, que os argonautas conquistaram. Entre nós, existe uma lenda do carneiro de ouro, no Piauí [em Campo Maior, na serra de Santo Antônio], que aparece com uma estrela de brilhantes na testa e acreditam que indica um sítio em que há grandes riquezas. Os que tentam chegar até lá não dão com elas, porque o carneiro desaparece. Numa variante, o carneiro surge num lugar onde, uma noite, bandidos mataram um frade, que trazia esmolas, inclusive ouro para sua igreja. Mas, arrependidos, enterraram ali mesmo a vítima e as esmolas. O carneiro encantado simboliza o monge, a estrela de brilhantes, a riqueza sepultada".

Nas palavras do folclorista Leônidas Sá conta em Folclore Piauiense (1913), "conta-se que se dá em Campo Maior, na serra de S. Antônio, a aparição de um enorme carneiro de ouro, que se tem apresentado a algumas pessoas de dia, e a outras que o vêem à noite, de longe, da vila, todo vestido de luz. Dizem que ele berra junto a uma enorme corrente de ferro, como que indicando que naquele lugar existem grandes riquezas e grandes encantos. Mas, como uma só pessoa ou mesmo duas e três não possam levar para sua casa aquele enorme achado precioso, volvem à vila e reúnem povo para buscar o velocino. Em chegando, porém, ao lugar, desaparecem o carneiro e a corrente".

Motivação: Velar por riquezas.

Comentários: A figura do carneiro encantado é bastante antiga no folclore mundial. Na mitologia grega, o carneiro encantado com pele (velo) de ouro foi o animal escolhido por Zeus para salvar os irmãos Frixo e Hele, filhos de Atamante, ameaçados de morte por sua madrasta, Ino. Para os egípcios, o carneiro simbolizava o deus Amon, as forças masculinas de geração e fertilização que iniciam e mantêm a vida de forma contínua. No cristianismo, o carneiro representa Jesus Cristo, São João Batista o traz nas costas, é o cordeiro pascoal. Na astrologia, o primeiro signo do Zodíaco, Áries, é representado por um carneiro que agride com a cabeça, significando heroísmo e aventura.
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12/12/2016

O Palhaço do Coqueiro

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Lenda Palhaço do Coqueiro

Personagem: Jovem louco com vestimentas de palhaço de circo.

Descrição: Reza a lenda que no bairro de Janga, no município de Paulista em Pernambuco, vivia um jovem de nome Coco que, tentado alcançar o sucesso do pai, tornou-se palhaço. Contudo, para sua infelicidade e desgraça, não conseguia obter um único riso de sua plateia. Tamanho foi o insucesso que ele acabou por enlouquecer e fugir do circo. Desde então, sempre que era noite de lua quarto minguante, ele subia num coqueiro para observar o grande satélite natural que gratuitamente lhe sorria do céu. Entretanto, quando alguma nuvem encobria a lua, ele saia pelas ruas buscando novos sorrisos. E caso algum transeunte não risse de suas palhaçadas, seria punido, às vezes até com a morte.

Motivação: A busca incessante pelo sorriso não alcançado no palco circense.
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Dama Branca

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Lenda da Dama Branca

Personagem: A Dama Branca ou Dama de Branco é uma visagem, assombração, fantasma, duende que aparece aos garimpeiros do rio das Garças. Para Olavo Dantas trata-se de uma "mulher misteriosa que surge nas praias de Cananéia, trajando longo vestido de seda branca, e o olhar mais misterioso ainda".

Descrição: Nas palavras de Francisco Brasileiro, ela "passeia à noite pelas estradas. Segue à frente dos cavaleiros, leve e inalcançável. Vai de porteira em porteira. Desaparece às vezes na sombra de uma curva do caminho. Anda pelos arredores dos velhos casarões, como se espairecesse de um tédio. Atribuem-lhe o poder de vigiar os enterros guardados ou achados (ouro, riqueza escondida). Vê-la é uma graça. É sinal de sorte".

Motivação: Desconhecida.

Comentário: Para Luís da Câmara Cascudo ela é na verdade uma reminiscência da dame blanche ou femme blanche da França, Alemanha, Inglaterra, cuja presença anunciava a morte de um príncipe-soberano ou algum acontecimento notável. A Dama Branca não estava ligada aos tesouros enterrados. E, diferente da Mulher de Branco, ela não faz vítimas.
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Alamoa

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Lenda da Alamoa

Personagem: Duende feminino (mito) aparentando uma mulher branca, loura, nua e de beleza provocante.

Descrição: Existem duas versões mais populares. Segundo Luís da Câmara Cascudo, "Às sextas-feiras a pedra do [Morro do] Pico [elevação rochosa da região que tem 323m] se fende e na chamada porta do Pico aparece uma luz. A Alemoa vaga pelas redondezas. A luz atrai sempre as mariposas e os viajantes. Quando um destes se aproxima da porta do Pico, vê uma mulher loura, nua como Eva antes do pecado. O níveo corpo é mal encoberto pela coma loura que vai quase no chão. Os habitantes de Fernando de Noronha chamavam-na alemoa, corruptela de alemã, porque para eles mulher loura só podia ser alemã. A Vênus insular parece ter sido feita para satisfazer a volúpia dos homens. O passante incauto não resiste à fascinação daquela ninfa sedutora que o chama com a voz quente das grandes apaixonadas. O enamorado viandante entra na porta do Pico, crente de ter entrado num palácio de Venusberg, para fruir as delícias daquele corpo fascinante. Ele, entretanto, é mais infeliz que o cavaleiro Tannhauser. A ninfa dos montes transforma-se numa caveira baudelairiana. Os seus lindos olhos, que tinham o lume das estrelas, são dois buracos horripilantes. E a pedra logo se fecha atrás do louco apaixonado. Ele desaparece para sempre. A angústia de seus últimos gritos ressoa ainda durante muitos dias pelos flancos do Pico, escapando-se das fendas profundas do monte e misturando-se ao uivo dos montados e ao silvo dos ventos do sueste".

Noutra versão, conforme Mário Melo, "No alto da baliza [Pico] aparece uma luz peregrina - alma errante de linda francesa, algumas vezes encarnada em  ser humano. Viram-na sentenciados aos quais a francesa lhes ofereceu um tesouro. Certo dia um presidiário pescava sozinho ao escurecer. Sentiu presa ao anzol. Ergueu a vara. Era o rosto da francesa em corpo de sereia. O pescador correu e a visão o chamou miserável por não ter querido desenterrar o tesouro. E a luz há de viver no Pico, com fogo-fátuo, até que um dia o ouro que o espírito guarda seja dado a alguém".

Motivação: Apenas a versão descrita por Mário Melo indica um propósito para a Alamoa.

Comentários: Embora ambas as versões apresentadas estejam ligadas ao Morro do Pico, existem ainda variações que descrevem a Alamoa como um fantasma de uma loura que aparece nas vésperas de tempestade, dançando na praia à luz de relâmpagos ou ainda montada sobre cães selvagens nos altos dos montes, como o Morro do Francês e o Morro do Espinhaço, os quais soltam longos e sinistros uivos. O próprio Cascudo admite que a Alamoa é um processo comum de convergência de vários outros mitos, como a Dama Branca e mulheres encantadas.
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Porca-do-Dente-de-Ouro

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Lenda da Porca-do-Dente-de-Ouro


Personagem: Era uma porca velha, muito grande e magra, feia de doer, com as pelancas arrastando pelo chão. De uma tromba crescida e pontuda saía um monstruoso dente de ouro, brilhante como ele só.

Descrição: Reza a lenda que, por volta de 1930, surgiu em Teresina, no Piauí, a tal assombração. Aparecia apenas em altas horas da noite, sempre nos arredores da cidade. Perambulava pelos subúrbios, de preferência em Mafuá, Por-enquanto e Cajuerios, embora percorresse também muitos outros lugares. Mas não duraram muito tempo essas aparições.

Motivação: Todos que a conheciam contavam a mesma estória: num certo dia, sem que soubessem por que, uma moça namoradeira travou uma briga feroz com sua velha mãe, que era um anjo de bondade. Atracaram-se, e a moça desferiu na pobre velha uma dentada tão profunda que lhe arrancou um pedaço do rosto. Desse dia em diante, passou a viver trancada, em falar e sem ver ninguém. Apenas a velha mãe aparecia para levar-lhe comida. De vez em quando, porém, ela se transformava, e à meia-noite a Porca-do-dente-de-ouro saía pelos subúrbios, assombrando quem encontrasse.
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